sábado, 1 de outubro de 2011

Ep.5 - Ósculo

   Me deitei novamente tentando apagar da mente aquela cena, mas por mais que eu tentasse esquecer, a imagem de Bill entrelaçado naquele beijo me fez imaginar as mesmas coisas que assombravam no passado.
        Andei em direção à cama improvisada outra vez, deixando os Kaulitz mais uma vez a sóis. Agora não se ouvia nem um barulho. Os dois estavam somente em silêncio, ou voltaram se beijar? Me agachei me preparando para me deitar. Fechei os olhos. Definitivamente não queria mais pensar naquilo. Lena estava deitada ao meu lado, abraçando-me. O calor de seu corpo bastava para mim naquele momento.
      Adormeci por uns minutos, com aquele silêncio perturbador.

      -Gê...Gê, acorda! Me ajuda a colocar o Tom lá no quarto. – Bill estava em frente à mim, me sacudindo com seus dedos magrinhos, a fim de me acordar.

       -Que horas são Billy? – Perguntei meio sonolento.

       -Talvez umas onze e meia, meia-noite, não sei bem... – Bill expressou uma certa dúvida em sua expressão.

       -Só isso? – Perguntei totalmente incrédulo.

       -Você se esqueceu que só ficamos umas três horas no festival, por causa do Tom e sua mania de ficar bêbado? Eu disse pra você a Lena ficarem, lá... – Bill se levantou. Eu repeti seus movimentos, me levantando também.

      -A Lena também tava mal. Foi melhor termos vindo mesmo... –

   Meu diálogo com Bill estava normal. Ambos estávamos ignorando o ocorrido de alguns minutos atrás. Rapidamente ajudei-o a colocar Tom na cama. Bill sorriu como agradecimento e se deitou ao lado do irmão. Girei o corpo para trás, voltando para a sala.

    Retornei à cama .Fiquei acordado pensando naquilo o que testemunhara e que não era exatamente uma das coisas que mais me preocupavam naquele momento. Permaneci mirando o teto, sem fechar os olhos. Me revirei na cama e não aguentando me ergui e num, salto fiquei de pé. Arrastando os pés pelo trajeto, indo até a cozinha buscar água. Me sentei à mesa para ‘degustar’ minha água, já que o sono se recusava a me visitar. Logo em seguida ouvi uns passos na direção da mesma. Vi o alto rapaz atrás de mim, caminhando em direção á geladeira.

    Bill estava sonolento e andava com passadas demasiado longas. Passou por mim no pequeno espaço entre a geladeira e a mesa ,onde eu estava sentado. Bocejei, esbravejando um leve sorriso ao mesmo tempo em direção á ele. Bill abriu a geladeira e encheu um copo com água também. Pôs o copo sobre a mesa e se sentou na cadeira ao lado. Seus olhos castanho-avermelhados sorriram também. Ele exalava um cheiro muito agradável, como algo doce, comestível ou algo do tipo. Não controlei meus pensamentos ao constatar a beldade sentada ao meu lado.

  -Levantei para beber um copo de água. - Bill disse fazendo círculos com líquido dentro do copo, mirando-o - Espero que você não tenha se assustado hoje – Disse, ainda encarando o líquido.

   -É. Eu gostaria de não ter me assustado – Respondi, com muita dor na cabeça. Bill me encarou com um olhar envergonhado. Estava cansado demais. – Se não quiser tocar no assunto, tudo bem...

  - Obrigada, Gê - Bill falou, receoso, ainda me encarando.

  -Respeito vocês independente do que tenham feito no passado. Sinceramente, não acho necessário nenhum tipo de explicação – Disse, tentando amenizar o ocorrido.

  -‘Eu gostaria de não ter me assustado’. - Bill parodiou o que eu acabara de dizer. - Eu não queria que você presenciasse algo tão sem-noção como o que aconteceu hoje à noite, cara. - O garoto sorriu finalmente.

  Já eram quase 2:00 da manhã e conversávamos sobre como o Tom roncava alto. Ele realmente parece ter acordado os vizinhos com aqueles roncos que mais pareciam um carburador de carro velho. Rimos, com um ar descontraído.

  De repente Bill parou a conversa, hesitante.

  -Gê, posso te perguntar uma coisa bem no sense? - Disse Bill com um sorriso ainda nos lábios. Eu assenti, dando de ombros.

  - Eu sou um cara atraente?

Nessa hora senti o rubro se formar em meu rosto. 'Sim, Bill você é bem atraente'. - Pensei em dizer segundos antes de responder.

  -Não sei se consigo responder. É complicado. Você é um garoto. - Respondi sua pergunta depois de uns segundos, rindo de meu machismo fingido.

-Não vejo problema nenhum. - Me disse Bill dando um sorriso de canto. - Você acha que dizendo a verdade vai te fazer menos macho, garanhão? - O garoto deu uma leve bagunçada em meu cabelo, e eu enrijeci ao seu toque. Voltamos a o foco da conversa eu ele inclinou a cabeça, esperando uma resposta.

  -Por que a pergunta Billy? Sim eu te acho um cara bonito sim.

  -Curiosidade. - Bill deu ombros. E que eu acho você um cara tão descolado, tão na sua, sabe? Chega ser meio... sexy. - Ele riu de sua própria afirmação. - Ah, cara essa conversa tá tão...Gay - Ele disse a última palavra fazendo uma falsa careta de nojo, deixando escapar um meio sorriso pelos lábios. Eu concordei, assentindo com uma certa afobação, arcando as sobrancelhas.



   Eu estava me retirando da cozinha quando Bill me impediu de sair, se levantando e ficando se frente á mim, bloqueando a passagem.
   Levantei uma sobrancelha e ele estreitou os olhos. Parei em meu lugar.

  - Me deixa passar Bill. - Eu disse calmamente, achado que aquilo se tratava de uma brincadeira. Ele me encarou fixamente.

  -Quanto mais você pode aguentar, Georg? Me diz! - Disse, agora com um biquinho em tom de desdém. - Pára de fingir que não me quer que eu paro de fingir que não sei que você tá afim. Quem tá bancando a bicha aqui é você. Seja homem e assuma que me quer,cara. - Bill inclinou um pouco a cabeça e chacoalhou as mãos, como se estivesse me apressando.

  Lancei um olhar meio de lado, em forma de dúvida. Uma dúvida descaradamente mentirosa. Um olhar perplexo se lançava ao alto garoto em frente a mim. Como Bill poderia saber que eu tinha vontade de experimentar beijar um cara, e que porventura se esse garoto pudesse ser ele?

  -Não sei do que você esta falando. Está pondo em discussão minha sexualidade? Você tá achando que eu gosto de homem? - Perguntei tentando me livrar daquela situação.

  -Não disse isso. Eu disse que sei que você quer experimentar. Porque não tenta? Se não gostar, nunca mais fará de novo na vida. - Bill permaneceu parado e não se intimidou com o falso olhar incrédulo que eu o lancei segundos antes. O pálido garoto me olhava fixamente, esperando um possível avanço. Um sorriso pervertido acompanhado de uma mordiscada no lábio me aguardava ansiosamente.

  Porque não? Que mal teria, afinal ele era meu amigo. E se eu fosse hétero mesmo, ao fim do beijo sentiria nojo e teria certeza de homens não fazem meu tipo. Mas e se eu gostasse? Pensei nas consequências. Meus pais, amigos, tudo aquilo que fui ensinado. Todos os princípios estariam arruinados e decepcionados. Mas como lutar contra aquela dúvida que crescia em mim? Como,com aquele garoto com aquela boca irresistível? Como resistir aquele biquinho que se formara em seus lábios, como uma súplica pelos meus?  Eu tentaria sim. Por Bill.

    Me aproximei e ele esperou paciente,sem avançar. Percorri hesitante os poucos centímetros que me afastavam dele. O entreolhei e pressionei meus lábios (ainda hesitantes) nos dele e comecei tímido,explorando a área. Ele correspondeu devagar, me guiando naquela tarefa inédita. Encostei timidamente minha língua na dele, e vendo que era gostoso, intensifiquei os movimentos tentando achar a graça daquilo. Nos beijamos por alguns segundos e foram suficientes para tornar nossos lábios mais unidos, com movimentos mais urgentes. Em pouco tempo estávamos nos puxando um para mais perto do outro fazendo que cada milímetro de distância fosse um quilometro.
    Bill passou a mão por debaixo da minha blusa acariciando minhas costas de leve com as unhas. Ele me entre olhou e mordiscou meu lábio inferior arranhando de leve meu rosto. Passei minha língua por seus lábios ele me puxou contra seu corpo com força e agarrou meu cabelo pela minha nuca. Empurrei-o contra a parede e ele pegou a barra de minha blusa, levantando-a e me deixando semi-nu. Bill mirou meu peito nu e soltou um suspiro: Pareceu gostei do que viu. Segurei seus pulsos e tirei sua camisa. Seus leves músculos dos braços me tomaram de volta para o beijo.
    Procurei as partes sensíveis do garoto. Passei a língua pelo lóbulo de sua orelha de leve e senti sua respiração forte  em mim, seguida de um arrepio imediato. O volume nas calças de Bill não era nada discreto e isso fez com que o meu crescesse também.

Eu estava gostando daquilo. Mais do que eu poderia imaginar. Seria isso errado? Se fosse, eu não tinha o intuito de parar por aí.

   Ambos soltávamos uns leves grunhidos de vez em quando. Ele ria. Tirei o suspensório dele e ele passou de leve as mãos por minhas costas me olhando, e em seguida brincadas com zíper de minha calça, abrindo-o e fechando. Encostou as mãos gélidas em mim e ri de nervoso. Movimentou-as repetidas vezes dentro de minha calça até conseguir arrancar um gemido de minha parte. Minha cabeça pendeu para trás e meus cabelos voaram com a rapidez do movimento. O jeito que ele estava excitado me fazia querer o corpo magro dele mais perto do meu. Eu passava as mãos geladas por seu corpo, brincando com as sensações do volume de sua calça e o imprensava contra mim numa forma de machucá-lo. Ele afundou suas unhas em mim num gesto de dor. Passou o metal de sua língua por meus pontos fracos e me arrepiei. Ele estava revirando os olhos e urrando numa mistura do dor e prazer. Nosso corpo branco estava cheio de arranhões e chupões e isso me fazia querer mais... Sua voz masculina soou muito bem naqueles gemidos.
   Eu tive meu objeto disse desejo bem em meus braços. A ideia de Bill ser um homem, não deixou de me arrancar uns sorrisos.

  Não teria coragem de olhá-lo no dia seguinte. Ele deitou ao meu
lado depois de tudo. Subiu por meu corpo e me deu um último beijo. Seus ossos pesaram em mim.

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